"Era uma vez um grande homem que casou com a mulher dos seus sonhos. Com amor criaram uma menina.
Quando essa menina estava a crescer o grande homem abraçava-a e dizia-lhe: «Amo-te, minha menina.» A rapariguinha fazia beicinho e dizia: «Já não sou menina.» Então o homem ria-se e dizia: «Para mim, serás sempre a minha menina.»
A menina-que-já-não-era-meni
chegou o dia em que a menina-que-já-não-era-meni
Ela foi a cabeceira do grande homem. Quando entrou no quarto e o viu, parecia pequeno e não parecia nada forte. Olhou para ela e tentou falar, mas não conseguiu.
A menina fez a única coisa que podia fazer. Subiu para a cama, para o lado do grande homem e pôs os braços em torno dos ombros inúteis de seu pai.
Com a cabeça no peito dele, pensou em muitas coisas. Lembrou-se de como se sentia protegida e acarinhada pelo grande homem. Sentia desgosto pela perda que ia sofrer, a das palavras de amor que a confortavam.
E então ouviu dentro do homem, o bater do seu coração. Este continuava a bater despreocupado com os danos no resto do seu corpo. E enquanto ela ali descansava, a magia aconteceu. Ouviu o que precisava de ouvir.
O coração dizia, ao bater, o que a boca já não conseguia, «amo-te, minha menina, amo-te, minha menina»... e ela sentiu-se confortada. "
Patty Hansen

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