"Por vezes, durante voos entre dois compromissos de conferências, dou comigo sentado ao lado de alguém que é muito falador.
Trata-se, muitas vezes, de uma experiência agradável para mim, porque sou um inveterado observador das pessoas. Já ouvi histórias de tristeza, de satisfação, de medo, de alegria e outras que podiam competir com os programas de televisão da Ophra e do Geraldo.
É triste dizer que, por vezes, fico sentado ao lado de uma pessoa que só quer despejar a sua depressão sobre um público atento durante 600 milhas de viagem. Foi num desses dias. Estava sentado, resignadamente, enquanto o meu companheiro de banco começou a sua dissertação sobre o terrível estado do mundo. «Já sabe, os miúdos de hoje...» Continuou, sem parar, lançando ideias vagas sobre o estado terrível dos adolescentes e jovens, baseados na observação muito selectiva dos noticiários das seis.
Senti-me feliz por desembarcar do avião e comprei um jornal local a caminho do hotel. Numa página interior, vinha um artigo que eu acho que devia ser o cabeçalho da primeira página.
Numa pequena cidade em Indiana, havia um rapaz novo com um tumor cerebral. Estava a ser submetido a tratamentos de radiação e quimioterapia. Em resultado desses tratamentos perdera todo o cabelo. Lembrei-me de como me sentiria por causa disso, naquela idade. Teria ficado destroçado!
Os colegas de turma daquele rapaz vieram, espontaneamente, em seu auxílio: todos os rapazes do seu ano, pediram às mães, se podiam rapar o cabelo, para Brian não se sentir que era o único rapaz careca do liceu. Ali estava uma fotografia de uma das mães a rapar o cabelo do filho e toda a família a olhar com ar de aprovação.
Não, não descreio dos miúdos de hoje. "
Hannoch McCarty, Ed. D.

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